O que perguntar no primeiro encontro e quando perguntar
O que perguntar no primeiro encontro: por que as perguntas de sempre não funcionam, como dosar uma hora de conversa e dez perguntas separadas por momento.
Por A equipe Cartas de conversa · Atualizado em
O primeiro encontro é uma situação estranha. Duas pessoas que mal se conhecem sentam frente a frente e tentam descobrir, em mais ou menos uma hora, se querem um segundo encontro. Saber o que perguntar no primeiro encontro, e como perguntar, faz muita diferença para essa hora parecer uma entrevista de emprego ou uma noite boa.
Por que as perguntas de sempre não funcionam
A maioria de nós recorre ao mesmo roteiro: trabalho, cidade natal, irmãos, hobbies. São boas perguntas, mas rendem um currículo. A outra pessoa faz um resumo bem arrumado de si mesma e espera pelo seu.
As pesquisas sobre como estranhos se aproximam apontam na mesma direção. No conhecido estudo das “36 perguntas”, de Arthur Aron, publicado em 1997, duplas de desconhecidos que responderam a perguntas cada vez mais pessoais se sentiram mais próximas depois do que duplas que ficaram no papo furado. A ordem importou tanto quanto as perguntas: as fáceis primeiro, as pessoais depois.
Como dosar o primeiro encontro
Ajuda pensar no primeiro encontro em três partes, mais ou menos.
- Os primeiros 10 a 15 minutos. Mantenha o clima leve, com perguntas fáceis de responder. Ninguém quer ser questionado sobre o maior arrependimento da vida enquanto as bebidas ainda estão chegando.
- O meio. Agora dá para fazer perguntas que mostram como a pessoa pensa e do que ela ri, sem que a conversa vire uma sessão de terapia.
- A reta final. Olhem para a frente e mantenham o tom brincalhão. É aqui que vocês dois descobrem se um segundo encontro soa bem.
O que perguntar no primeiro encontro: dez perguntas, de acordo com o momento
No começo
- Qual foi a melhor coisa que aconteceu com você esta semana? Uma versão mais simpática de “como foi a sua semana?”. Ela leva a pessoa a pensar em algo bom e costuma render uma história de verdade.
- Abacaxi na pizza: defenda a sua posição. Boba e sem risco, e você descobre como a pessoa discute com bom humor.
- Qual é a música mais constrangedora que você ouve por puro prazer? Um risco pequeno, com rede de proteção. Se a pessoa rir e colocar a música para você ouvir, a noite acabou de ficar mais fácil.
No meio
- Você é do tipo que planeja tudo ou do tipo que “resolve quando chegar lá”? Dá para saber como a pessoa toma decisões sem parecer um teste de compatibilidade.
- Qual foi o melhor conselho que você já ignorou? Mais engraçada e mais sincera do que perguntar qual foi o melhor conselho que a pessoa seguiu.
- Se você pudesse ficar craque, de uma hora para outra, em algo que hoje faz mal, o que escolheria? Mostra o que a pessoa gostaria de ter mais na vida.
- No que você acreditava quando era criança e que se revelou totalmente errado? As pessoas gostam de rir de quem foram um dia, e essa pergunta costuma render as melhores histórias da noite.
Perto do fim
- O que mais anima você nos próximos meses? Mantém o clima animado e ainda mostra o que já está na agenda da pessoa.
- Se a gente estivesse planejando um segundo encontro agora, o que seria mais divertido do que ficar aqui? Ousada, mas demonstra interesse e muitas vezes termina em um plano de verdade.
- O que você sempre quis experimentar, mas nunca teve a companhia certa para isso? Um jeito mais leve de chegar ao “então, o que a gente faz da próxima vez?”.
Três erros comuns
Perguntar sem responder. Se você pergunta sobre o pior encontro da pessoa e não conta nenhum seu, começa a parecer um interrogatório. Quando ela se abrir um pouco, faça o mesmo.
Empilhar perguntas. Três perguntas seguidas antes de a pessoa terminar a primeira resposta passam sensação de pressão. Deixe espaço.
Seguir uma lista de checagem. Casamento, filhos e planos para os próximos cinco anos na primeira hora quase sempre dão errado. Essas perguntas funcionam melhor no terceiro ou no quarto encontro, quando já existe um pouco de contexto.
As perguntas de acompanhamento fazem quase todo o trabalho
Fazer perguntas é a parte fácil. O que você faz com a resposta importa mais. Uma boa pergunta de acompanhamento, como “peraí, volta naquela parte da sua avó”, vale mais do que dez aberturas inteligentes, porque mostra que você estava ouvindo e não só esperando a sua vez.
A maioria dos bons primeiros encontros tem o mesmo ritmo: uma pergunta rende uma história, e uma pergunta de acompanhamento mantém a história rolando.
Deixe algumas perguntas de reserva
Ajuda ter três ou quatro perguntas prontas para quando a conversa travar. Na maior parte do tempo você nem vai precisar, mas saber que elas estão ali tira um pouco da pressão. O baralho Primeiro encontro tem 60 delas, de perguntas rápidas de escolher entre duas opções até “do que a sua amizade mais antiga me alertaria?”. Leia antes e escolha as que combinam com o seu jeito.
E lembre que a outra pessoa provavelmente sente o mesmo frio na barriga que você. A maioria está esperando que alguém diga algo de verdade primeiro, então pode muito bem ser você.
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